The Suicide Squad: Análise
- PM
- 11 de ago. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 12 de ago. de 2021
O renascer das cinzas ou um novo começo?
*Spoilers para o filme do Esquadrão Suicida
O Esquadrão Suicida não é tanto um reboot ou uma sequela do Esquadrão Suicida de 2016, mas sim uma completa remodelação - e, desta vez, acertaram em cheio. De facto, esta exibição irreverente e ultra-violenta com vilões de qualidade inferior é um dos melhores filmes da DC em anos.
A história é, essencialmente, um filme de guerra à moda antiga com uma mistura de comédia pelo meio, e é uma grande aventura acima de tudo. Mais uma vez, um grupo de super-criminosos enclausurados é enviado numa perigosa missão de operações secretas, o que permite ao filme, com a classificação para maiores de idade, fazer jus ao seu nome de forma macabra.
Embora tenhamos vindo a esperar que os heróis e os vilões de fato tenham uma certa imunidade no que toca ao enredo para que possam aparecer novamente para a próxima parcela da franquia, as personagens de The Suicide Squad não gozam desse luxo. Ficou muito claro que ninguém no seu elenco estava a salvo. Isso proporciona-lhe uma rara sensação de perigo, como os bons dias de Game of Thrones, em que qualquer cena poderia ter sido a última para a nossa personagem favorita.

Assim, quando estas personagens são mortas, não é nada muito bonito, pois o realizador James Gunn entra nos seus velhos tempos de "esventrador" e rebenta com tudo que aparece. As personagens não caem simplesmente no chão, são cortadas em fatias e ou em cubos, ou em fatias e em cubos, incineradas e explodem com sangue e tripas em abundância - do tipo em que se podem ver bocados e mais bocados de tripas.
Algumas vezes estas mortes exageradas são feitas pelo valor de choque, outras pelo humor, e outras para puxar os nossos cordelinhos cardíacos. Mas inspiram sempre algum tipo de reacção significativa, e é por isso que o filme funciona bem.
O Esquadrão Suicida permite a James Gunn inclinar-se em tudo o que ele faz de melhor. Ele domina a acção e o drama com inteligência e humor, o que já esperávamos do do diretor dos Guardiões da Galáxia, mas há algo mais habilidoso em jogo aqui. Gunn consegue, através das suas ideias malucas, levar-nos numa perversa e estranhamente emocional montanha-russa com uma surpresa em cada esquina.
Na superfície, o filme pode ser mais uma guerra de super-heróis, mas na verdade, é um exame cativante dos mauzões da DC. Mesmo personagens obscuras e estranhas como o Polka-dot Man e Ratcatcher 2 têm uma profundidade que vale a pena explorar. Gunn tem claramente um ponto fraco para marginais e trapaceiros, e aqui, ele cria uma homenagem perversa, mas comovente, aos tristes e quebrados supervilões da DC.

Gunn já professou anteriormente o seu amor pelo clássico livro de banda desenhada "Suicide Squad", de 1987, do lendário John Ostrander, e embora o filme não seja uma adaptação direta dessa história, usa a sua influência com muito orgulho.
O tom é menos sombrio e tenso do que estamos habituados na DC, mas ainda assim conseguimos momentos de drama fantásticos. Tais como Viola Davis, que é novamente uma força da natureza como Amanda Waller, e há todo o tipo de reviravoltas, traições e enganos. Estes elementos são generosamente reunidos com o sentido de humor grosseiro, violento e absolutamente selvagem de Gunn.
Idris Elba e John Cena são hilariantes como rivais assassinos representando Bloodsport e Peacemaker, especialmente numa sequência violenta em que tentam superar-se um ao outro que não é nada menos do que brilhante e hilariante, (#queremosmaisBloodsport).
Sylvester Stallone dá voz a um tubarão ambulante que fala, chamado Nanaue, apresentando uma atuação mais parva e cativante do que tem o direito de ser. O Rick Flag de Joel Kinnaman é, felizmente, poupado ao tipo de frases foleiras com que foi forçado a trabalhar no filme de 2016, e é alguém por quem vale a pena torcer.
A sua dinâmica com Harley Quinn de Margot Robbie, uma amizade rara baseada no respeito mútuo, é um ponto alto do filme. E falando da rainda do crime, o filme é, de longe, a melhor versão de Harley Quinn que já vimos na DC -- ela é mais engraçada e mais imprevisível do que nunca. Gunn deixa-a soltar a franga, como se costuma dizer, o que revela a sua pura insanidade.

Se há um ponto fraco a ser encontrado, certamente será nos vilões do filme. Em particular, o Thinker de Peter Capaldi cujo parece é mal aproveitado. O filme não sofre muito com isto, no entanto, porque extrai tensão e perigo mais do que suficiente da própria equipa para nos manter investidos.
Claro que podemos também dizer, num outro pouco negativo, que este filme fica um pouco próximo do que é a fórmula da Marvel, e cujo tira um pouco do núcleo que é a DC, falo claro das partes mais obscuras da editora. Tanto nas bandas desenhadas como nos filmes, (principalmente nos filmes do Snyder), a DC tem sempre a tendência de ser mais sombria, e esta visão de Gunn aproxima claramente os personagens da DC à fórmula da Marvel. Não que seja claramente um ponto negativo, mas que perde um pouco da sua marca.
Em Suma
James Gunn arrasa completamente com The Suicide Squad. O filme é uma viagem caótica e ensanguentada do princípio ao fim que finalmente faz honra à Task Force X. É chocante e engraçado sem parar, e uma vitrina de vilões praticamente obscuros para o público geral, o que torna o filme nada menos do que brilhante.
Geek a tempo inteiro, PM é o fundador do projeto Tretas do Cromo. Podes segui-lo no Instagram em @senhor_pm, no twitter em @senhor_pm ou no facebook em @senhorpm.
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