Eras da Disney: A Era de Bronze da Walt Disney Animation Studios
- Pudim
- 27 de abr. de 2021
- 6 min de leitura
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Bem-vindos a mais um pedaço da história da empresa de animação de Walt Disney. Esta é a Quarta era da Disney. Se estiverem interessados em conhecer as outras eras - Era de Ouro, Era da Guerra e a Era de Prata- basta visitar o novo espaço do Tretas do Cromo.
A cada domingo, iremos abordar um pouco sobre a Walt Disney Animation Studios.
A preparação para a Era de Bronze:
Após a morte de de Walt Disney, em 1966, o estúdio entra numa crise de identidade sem o seu mestre e, por isso, tenta pegar em ideias do Disney e produzi-las ou até inovar em algumas histórias, no entanto, os filmes transformam-se em sombras daquilo que foram em tempos. Assim, a Era de Bronze seria também conhecida pela Era das Sombras ou a Era Sombria porque embora tenham sido feitos filmes que fizeram até sucesso na altura, muitos foram esquecidos com o tempo.
A Era de Bronze:
A Era de Bronze é dividida em 8 filmes.
Aristogatos (1970):
Em 1962, é apresentado a Walt Disney um roteiro sobre a história de uma mãe gato e os seus gatinhos que viveriam em Paris do qual Disney gostou porém, ordenou certos cortes e ajustes. Contudo, depois das correções, Walt arquivou o projeto e só voltaria com o projeto em 1966 , designando Ken Anderson como diretor do projeto e escolheu ainda algumas vozes do filme como a de Thomas O'Malley que seria Phil Harris.
Neste filme, tivemos a colaboração de 5 dos nine old man e foi o último filme em que Robert e Richard Sherman trabalharam como compositores para a Disney.
O investimento de 4 milhões de dólares foi rapidamente recuperado nas primeiras semanas de bilheteria, no entanto, muitos funcionários afirmavam que a nova direção da empresa dava mais valor ao dinheiro do que à criatividade, sendo oposto dos ideais do criador.

Curiosidade:
No início dos anos 2000, começou-se a desenvolver uma sequência para a animação de 70 todavia, a continuação foi cancelada.
Robin Hood (1973):
A adaptação da história de "Reynard, A Raposa" para animação era um tema discutido na disney desde da década de 30, juntamente com Branca de Neve e os Sete Anões, no entanto, foi posto na pilha de ideias porque Walt Disney achava que uma raposa não era um herói adequado.
Após o lançamento de Aristogatos, a empresa necessitava de uma nova ideia, de um clássico. Assim, foi surgido a lenda de Robin Hood que, imediatamente, tornou-se numa raposa heroica que salvava o povo de Nottingham do terrível Príncipe João.
O filme traz-nos diversos aspectos já conhecidos e queridos de outras animações como é o caso do Pequeno João que lembra o urso Balu do Livro da Selva ou o conselheiro do Príncipe João, Sir Hiss que é uma cópia da Kaa, ainda do Livro da Selva. Também foi reciclado material de animações antigas para poupar dinheiro e, assim, não arriscava tanto em novas ideais mas reinventavam as já existentes.
A animação foi um sucesso que com apenas 5 milhões de dólares rendeu 27 milhões ao redor do mundo, no que toca à crítica o filme foi bem aceite porém, os críticos achavam que faltava algo nos novos filmes da Disney.

Curiosidade:
Está em desenvolvimento um remake da animação de 1973 que será um hibrido musical entre live-action e animação que será lançado diretamente no Disney+.
As Aventuras de Winnie the Pooh (1977):
oWalt Disney, ainda em vida, teria comprado os direitos de adaptação da história de Winnie The Pooh e criou três curtas-metragem da história do ursinho na década de 60 e para economizar dinheiro a empresa do rato reutilizou essas animações e acrescentou novos elementos ao filme para interligar as histórias. O filme foi alvo de críticas por faltar o factor Disney que amavamos.

Curiosidade:
Emboora os anos 70 não tenham sido bons com o Winnie, esta franquia tornou-se numa das mais lucrativas da cultura pop.
As Aventuras de Bernardo e Bianca (1977):
Em 1962,Walt Disney começa a desenvolver a história que seria a base para a animação mas a história estava a tomar um rumo demasiado político e Disney não queria ter a imagem do estúdio ligado, outra vez, ao mundo político.
No início dos anos 70, a ideia das aventuras dos ratos Bernardo e Bianca saiu da gaveta e foi centrada, essencialmente, no companheirismo e aventura de dois corajosos roedores que salvariam uma menina em apuros.
O investimento no projeto foi de 1.2 milhões de dólares, ainda assim, a bilheteria foi de 48 milhões. Em França, por exemplo, a receita bruta superou a de Star Wars lançado nesse mesmo ano, já na Alemanha Ocidental o filme teve maior bilheteria da época.

Curiosidade:
A vilã da animação, inicialmente, seria a Cruella de 101 Dálmatas contudo, descartaram a ideia porque seria uma sequela sem uma continuação lógica, no entanto, é possível ver as semelhanças de personalidade entre a Cruella e a Medusa.
Dentuça e Papuça (1981):
Em 1967, a Walt Disney Animation Studios compra os direitos do conto "Cão e a Raposa" que ganhou o prêmio Dutton Animal Book. Só 10 anos depois é que a produção começou a todo o vapor todavia, os bastidores foram cheio de conflito visto que muitos dos trabalhadores desistiram do projeto por conta do centralismo nos dois protagonistas e houve ainda enormes discussões sobre o futuro do Chefe, ocorrendo uma divisão entre aqueles que queriam que o velho cão de caça tivessem o mesmo destino do livro, ou seja, morresse e os outros que não queriam mostrar tanta violência.
O orçamento de 12 milhões de dólares que converteu-se em 63.5 milhões de dólares, no entanto, em termos de crítica afirmavam que faltava inovação.
Este é também o primeiro filme sem relação com o Walt Disney.

Curiosidade:
O Dentuça e o Papuça ganharam uma continuação, em 2006, que mostra mais aventuras da dupla de caninos.
Taran e o Caldeirão Mágico (1985):
A Walt Disney Animation Studios, em 1971, comprou os direitos da série de cinco livros de Lloyd Alexander, este e Frank Thomas convenceram o estúdio de que se a história fosse bem trabalhada poderia ser um grande sucesso ao nível de Branca de Neve e os Sete Anões.
A produção foi muito conturbada visto que o projeto passou pelas mãos de 5 diretores e a equipa de animação mudava imenso, a própria animação foi feita e refeita diversas vezes e, por isso, o investimento rodou os 44 milhões de dólares, no entanto, o filme foi um fracasso tendo uma bilheteria de apenas 20 milhões.
Esta é a história mais sombria da Disney, afastando-se da empresa que o Walt construiu.

Curiosidade:
Embora a Disney tenha os direitos de da obra inteira das Crônicas de Prydain, o filme basea-se apenas nos dois primeiros.
Rato Basílio, O Grande Mestre de Dectetives (1987):
Entanto As Aventuras de Bernardo e Bianca estava em desenvolvimento, a empresa Disney tinha na mesa uma outra história de ratos, desta vez seria um enrendo do gênero de Sherlock.
A animação era para ser lançada apenas em 87 mas após o fracasso do seu antecessor, a produção foi acelerada o máximo possível, o que só foi possível graças às novas tecnologia de computação. A antecipação custou um pouco caro e, assim, o orçamento foi de 12 milhões e conseguiu 38 milhões de dólares, salvando a Disney de mais uma crise.

Curiosidade:
O Sherlock Holmes foi a inspiração para o protagonista, no entanto, a história é baseada nos livros infantis de Eve Tutis, "Basil of Baker Street."
Oliver e os seus companheiros (1988):
Este é o primeiro filme com supervisão de Micahel Eisner, como CEO, e Jeffrey Katzenberg, no papel de presidente do estúdio, a dupla já tinha trabalhado na Paramount e entrou na empresa do rato em 1984.
A produção durou 2 anos e meio e contou com seis animadores supervisores e uma equipa de mais de 300 funcionários que com a novas técnicas de animação conseguiram trazer cenas de ação muito mais vibrantes para o público. Todo o trabalho requereu um investimento de 14 milhões de dólares contudo, o filme foi um êxito,rendendo 53 milhões de dólares em bilheteria só nos Estados Unidos da América e Canada e foi o primeiro filme animado a arrendar 100 milhões de dólares no primeiro lançamento.
Esta animação começava a trazer a identidade futura da Disney.

Curiosidade:
O gangue de cães londrinos e o pequeno Oliver ganhariam um Live-action porém, não se sabe nada do desenvolvimento do projeto à anos e por isso os fãs acreditam que o remake foi cancelado.
O legado da Era de Bronze:
Esta era foi divida entre filmes que fizeram muito sucesso na época e outros que foram fracassos, no entanto, a maior parte dos filmes foram esquecidos com o passar do tempo, tanto que alguns deles ainda não estão dublados para português de Portugal no Disney+ que é o caso de As Aventuras de Bernardo e Bianca e Rato Basílio, O Grande Mestre dos Dectetives.
Nesta era, o estúdio procura a sua identidade e o seu caminho que seria seguido na próxima era- Era da Renascença.
Na próxima semana abordaremos os primeiros cinco filmes da Era da Renascença, os clássicos da nossa infância.
Aficionada pela Disney e Marvel, a Pudim, faz vídeos sobre a cultura geek e looks e maquilhagens inspiradas em filmes e séries. Para verem mais procurem por @a._.pudim nas redes sociais.
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