Eras da Disney: A Era da Prata da Walt Disney Animation Studios
- Pudim
- 19 de abr. de 2021
- 8 min de leitura
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Bem-vindos a mais uma era do estúdio de Walt Disney - o pai da animação. Esta é a Terceira era da Disney. Se estiverem interessados em conhecer as outras eras - Era de Ouro e Era da Guerra- basta visitar o novo espaço do Tretas do Cromo.
A cada domingo, iremos abordar um pouco sobre a Walt Disney Animation Studios.
A preparação para a Era de Prata:
Após os oito longos anos da Era da Guerra da Disney, com filmes em pacotes e propaganda militar, Walt Disney e a sua equipa preparava-se para a produção de filmes que eram pensados antes mesmo da guerra e, por isso, esta era traz clássicos intemporais e tornaria-se numa nova era de sucesso e evolução para a empresa.
A Era de Prata:
A Era da Prata é dividida em 8 filmes.
Cinderela (1950):
Cinderela é um projeto da década de 30 de Disney, no entanto, outras animações começaram a ser desenvolvidas primeiro por preferência ou facilidade e, de seguida, a guerra foi instalada e só em 1948 é que a Walt Disney Animation Studios arranca a produção do seu 12º longa-metragem. Embora, existissem diversas histórias na gaveta, Walt arriscou a sua fórmula do seu primeiro sucesso, - a história de uma princesa bondosa e gentil que com a ajuda dos animais e do seu príncipe conseguem derrotar uma vilã impiedosa.
O filme teve um investimento de 2.9 milhões de dólares, no entanto, o estúdio tentou reduzir ao máximo os custos e, por isso, 90% do filme foi, inicialmente, gravado a live-action e depois passado para animação. A animação foi um sucesso de público e contou com 4 milhões de dólares de bilheteira só nas primeiras semanas.
O longa-metragem salvou a empresa do rato baixando a dívida de 4.2 milhões para 3 milhões de dólares.
Trilha sonora foi outro sucesso, o álbum do filme vendeu mais de 750 mil cópias e o filme ainda foi indicado a dois óscares: Melhor Trilha Sonora e Melhor Música Original com Bibbidi Bobbidi Boo.
A Gata Borralheira conquistou o amor do público que resultou em duas sequências (2002, 2007) e num live-action (2015).

Curiosidade:
A Cinderela era a princesa favorita de Walt Disney.
Alice no país das maravilhas (1951):
Na primeira empresa de Walt -Laugh-O-Gram Studio-, este criava curtas-metragens inspirados no conto "Alice no país das Maravilhas" de Lewis Carroll que combinava animação e live-action, onde Alice interagia com desenhos animados.
Após a Segunda Guerra, em 1945, a empresa Disney começou a desenvolver um novo roteiro para a história e a produção arrancou a todo o vapor, passado 4 anos.
A animação teve um investimento de 3 milhões de dólares porém, a receita nas primeiras semanas não foi a esperada, sendo apenas de 2.4 milhões de dólares. O filme foi ainda indicado ao óscar na categoria de Melhor Trilha Sonora e tornou-se num sucesso com o passar do tempo que foi a base para dois live-actions.

Curiosidade:
A Walt Disney começou a procurar uma maneira de mostrar as suas obras esquecidas como Alice e, assim, criou um especial televisivo que apresentaria excertos desses filmes e da próxima animação que foi patrocinado pela Coca Cola.
As Aventuras de Peter Pan (1953):
Em 1935, Walt Disney tem a ideia de animar a história do menino que não queria crescer, no entanto, os direitos do conto pertenciam na época à Paramount, foi só em 1939 que Disney conseguiu começar a trabalhar no projecto. Contudo, devido à guerra que ocorria no Mundo foi mais uma ideia para a gaveta, apenas em 1947 quando a saúde financeira do estúdio começa a melhorar que Disney resgata inúmeros dos seus sonhos e em 1949 a produção de Peter Pan recomeça.
Embora tenha sido um sucesso de público, tendo facturado 7 milhões de dólares nas primeiras semanas com um investimento de 4 milhões, a animação foi severamente crítica pelo seu descuidado na representação dos índios, uma representação cheia de estereótipos.
Este foi o último filme distribuído pela RKO, uma parceira antiga da empresa, visto que Disney cria a sua própria distribuidora - Buena Vista Distribution. E, ainda, o último onde os Nine Old Men da Disney trabalharam juntos. Os Nine Old Men eram animadores no estúdio de Disney que com o tempo foram tornam-se directores de filmes aclamados pela crítica como Branca de Neve e os Sete Anões, este grupo foi considerado parte das Legendas da Disney, assim como Walt Disney ou Roy Disney.
O conto ainda era a base para um novo live-action intitulado de Peter Pan e Wendy pois promete que a nossa querida menina tenha um papel mais relevante do que na animação.

Curiosidade:
A Sininho de As Aventuras de Peter Pan ficou tão querida pelos fãs que foi a base para a criação de uma série de filmes, bonecos, etc conhecidos por Disney Fadas.
A Dama e o Vagabundo (1955):
Em 1937, Joe Grant, artista de histórias da empresa do rato, apresenta a Walt Disney a história da sua própria cadelinha Lady, que andava a fazer travessuras devido à chegada do bebé, o mestre adorou a ideia e ordenou o início dos esboços da animação e do roteiro da animação que se chamaria Lady mas nada satisfazia-lhe. Até que em 1945 leu o conto sobre um cão cínico de Ward Greene e, rapidamente, comprou os direitos do canino ao escritor e juntou os enredos, nascendo assim a primeira história original Disney.
Assim como em Bambi, os animadores estudaram diversos cães, os seus movimentos e as suas personalidades para tornar a animação mais próxima, possível, da realidade. Dama e o Vagabundo foi o primeiro longa-metragem animado a ser filmado em CinemaScope, uma dimensão mais ampla do filme e que estava a crescer no mundo do cinema.
Embora tenha sido criticado pela crítica, afirmando que não era o melhor trabalho de Disney, foi um sucesso com o público arrendado de bilheteria quase 7 milhões de dólares, tendo um investimento de 4 milhões, assim como o seu antecessor.
O romance de Dama e Vagabundo tornou-se um símbolo em Hollywood e ganhou um Live-action que estreou directamente no Disney+ e uma continuação que mostra as aventuras do seu filho, Banzé.

Curiosidade:
Inicialmente, haveria um triângulo amoroso entre Dama, Vagabundo e um lobo russo chamado Boris que foi reduzido a uma aparição no canil.
A Bela Adormecida (1959):
No final de 1950, Walt Disney anuncia que faria um longa-metragem animado sobre o conto da Bela Adormecida, este junta diversos aspectos descartados de Branca de Neve e os Sete Anões e de Cinderela, como a capturada do príncipe Phillip que, inicialmente, aconteceria a Florian e a dança na nuvem que seria um momento de Cinderela e Encantado.
O filme da princesa Aurora não foi o sucesso que o estúdio esperava pois tinham investido 6 milhões na sua produção e a sua receita inicial foi de apenas 5.3 milhões de dólares porém, a Trilha Sonora da animação foi indicado ao óscar e ao grammy mas a querida do público foi realmente a vilã - Maléfica. Esta já ganhou dois live-actions de grande sucesso.

Curiosidade:
O nome da princesa Aurora significa amanhecer que no conto original do Irmãos Grimm é, na verdade, o nome da sua filha.
101 Dálmatas (1961):
Dodie Smith escreveu o conto "101 Dálmatas" em 1956 e tinha o sonho de Walt Disney transforma-lo em animação e, assim, foi, um ano depois, Disney leu a história e obteve os direitos de produção.
Após a decepção de Bela Adormecida, Disney queria reduzir custos e, por isso, o orçamento da animação foi apenas de 3.6 milhões de dólares, no entanto, houve uma grande inovação no filme, a câmara Xerox. Ub Iwerks,encarregado dos processos especiais do estúdio, modificou uma câmara comum Xerox para transferir os desenhos dos animadores directamente para as células de animação, deste modo, foi possível eliminar o processo da tinta e reduzir tempo e dinheiro de produção.
Os dálmatas tornaram-se um sucesso, tendo uma bilheteira de 14 milhões de dólares e ainda foram protagonistas de uma série de TV, conseguiram uma sequela e dois live-action que se focam no lado da vilã, Cruella de Vil. Contudo, esta ganhará uma nova história dia 28 de maio, num novo live-action.

Curiosidade:
A atriz Helene Stanley interpretou a referência live-action de Anita (a dona dos 101 dálmatas), no entanto, a atriz também foi a base para as princesas Cinderela e Aurora.
A Espada era a Lei (1963):
Em 1939, Walt anuncia a compra dos direitos da obra de T.H White mas, como já vimos, muitas das ideias da década de 30/40 foram para a gaveta por cauda da Segunda Grande Guerra. Foi apenas 1944, após o relançamento de Branca de Neve e os Sete Anões, que Walt Disney designa os escritores que trabalhariam no roteiro do projecto, no entanto, era desencorajado pelo seu irmão e sócio, Roy Disney a parar visto que tinha filmes suficientes para fazer relançamentos e salvar o estúdio mas, como sempre, o Disney queria mais. O pai da animação estava, nesta altura, a programar a abertura de outro parque e, por isso, prometeu a Roy que abrandaria e que iria lançar um longa-metragem animado de 4 anos em 4 anos apenas.
Este é o filme mais esquecido da Era da Prata, no entanto, embora tenha conseguido lucro visto que teve um orçamento de 3.6 milhões e uma receita de 4.7 milhões de dólares, foi bastante falado na crítica pois era notável a ausência de Disney na produção porque este estava empenhado na produção de Mary Poppins.
A Disney está neste momento a desenvolver Live-action de histórias esquecidas pelo público que serão lançadas directamente no serviço de streaming, Disney+ e A Espada era a Lei está nos planos.

Curiosidade:
O live-action irá ter como roteirista o Bryan Cogman que trabalhou na série Game of Thrones.
O Livro da Selva (1967):
Assim que a história do Rei Arthur foi lançada nos grandes ecrãs, o roteirista Bill Peet afirmou que o departamento de animação conseguia fazer personagens animais mais interessantes e daí surge a ideia da produção do Livro da Selva. Peet queria um tom mais dramático para a animação com o qual Walt não concordou e depois de uma longa discussão, em 1964, o roteirista deixa o estúdio.
Em 1966, a animação, em si, começou a ser realizada e foi utilizada a técnica de xerografia (criada em 101 dálmatas).
O filme ganhou uma sequência e um live-action de enorme prestigio que terá uma continuação visto que o conto teve um grande sucesso no seu lançamento, tendo uma receita de 11 milhões de dólares e somente 4 milhões foram investidos no filmes.

Curiosidade:
No filme são usadas músicas tanto da Bela Adormecida como de Branca de Neve e os Sete Anões, a primeira depois de Mogli acordar após escapar do rei Louie e o segundo quando o Bagheera pensa que o seu amigo urso foi morto por Shere Khan.
A Morte do Mestre:
Em 1966, Walt Disney descobre um cancro no pulmão e poucos meses morre no hospital a 15 de dezembro. Dois dias depois, o seu corpo cremado e enterrado na Florest Lawn Memorial Park, na Califórnia.
O Livro da Selva foi o último filme da Disney supervisionado por Walt Disney deixando a empresa em rumo e perdida, sem identidade.

O legado da Era de Prata:
Esta era é das eras com maior sucesso e podemos ver isso pelos remakes feitos das histórias, pelo factor intemporal das obras e pela continuidade das mesmas.
A Era de Prata da Disney traz de novo a magia característica da empresa e que tinha sido perdida na era anterior.
Na próxima semana abordaremos a tentativa da empresa Disney de fazer sucessos sem o seu mestre para guiar durante a Era de Bronze.
Aficionada pela Disney e Marvel, a Pudim, faz vídeos sobre a cultura geek e looks e maquilhagens inspiradas em filmes e séries. Para verem mais procurem por @a._.pudim nas redes sociais.
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