A Marvel quer que esqueças que Steve Rogers também matou pessoas
- PM
- 13 de abr. de 2021
- 3 min de leitura
O teu apoio ajuda a manter o site online e a crescer ainda mais. Podes apoiar através do nosso Patreon, do Buy me a Coffee ou através de um Donativo. Obrigado pelo apoio!
Este artigo contém spoilers para o episódio 4 de The Falcon e The Winter Soldier, agora disponível na Disney+. Podes ler a análise ao episódio 4 neste link.

O quarto episódio de The Falcon and the Winter Soldier terminou com uma cena chocante onde o novo Capitão América, John Walker, espancou um inimigo que se tinha rendido até à morte com o seu escudo. Por mais poderosa que esta cena fosse, ela, juntamente com uma outra cena no mesmo episódio, parece promover a visão idealizada de Steve Rogers como um bom rapaz que nunca matou ninguém, ignorando habilmente que o primeiro Capitão América no MCU tinha acumulado uma impressionante contagem de mortes na sua relativamente curta carreira.
A ideia de os super-heróis nunca matarem os seus inimigos é um remanescente da Banda Desenhada dos anos 50, que proibia os heróis de alguma vez causarem directamente a morte de um vilão. Embora as regras tenham sido tornadas menos rigorosas com o passar do tempo e eventualmente abandonadas, a maioria dos grandes super-heróis (como o Homem-Aranha e o Batman) ainda têm códigos rigorosos contra tirar uma vida.
Estes códigos são menos comuns na banda desenhada da Marvel e no seu Universo Cinematográfico, onde a maioria dos Vingadores tem um passado em espionagem ou no exército, onde é perfeitamente aceitável matar um inimigo no cumprimento do dever. Embora o Capitão América tenha sido sempre retratado como alguém com ideais fortes sempre que possível, Steve Rogers era um soldado, antes de mais, e mataria soldados inimigos se a missão o exigisse e não houvesse maneira de o evitar.
O legado de Steve Rogers reside no coração de The Falcon and the Winter Soldier e o conflito entre as pessoas que defendem esse legado de alguma forma tem alimentado o enredo da série. No entanto, o quarto episódio, " O Mundo Inteiro está a Ver", ofereceu a primeira visão de como o mundo fora dos Estados Unidos vê o Capitão América, numa cena em que o líder dos Flag-Smashers (Apátrias), Karli Morgenthau e o seu seguidor, Nico, recuperaram o resto do Soro do Super-Soldado que Morgenthau tinha escondido numa caixa do cemitério. Nico admitiu que tinha sido fã do Capitão América em criança e que "ele fez-me acreditar que havia pessoas decentes neste mundo". Comparou então Karli com o Capitão América, considerando que o mundo era mais complicado e que as pessoas hoje em dia precisavam de heróis que "não têm o luxo de manter as suas mãos limpas". Ironicamente, este mesmo ponto de vista foi partilhado pelo novo Capitão América, John Walker, que espancou Nico até à morte com o escudo do Capitão América depois de Nico se ter rendido a ele perante uma multidão de civis na cena final do episódio.

Embora a escrita e a direcção deste episódio tenha conduzido perfeitamente ao ponto de John Walker ser um sucessor inadequado do legado de Steve Rogers, também pareceu encobrir a maior parte da carreira do primeiro Capitão América na sua realização. Embora o mundo possa ter visto o Capitão América que posou ao lado de showgirls em espectáculos como um símbolo do idealismo americano, Steve Rogers não teve medo de sujar as suas mãos quando era necessário.
Através de um rápido estudo das três primeiras fases do MCU e dos Vingadores originais, Steve Rogers matou dezenas de soldados nazis. Mesmo que se descartem os robots do Ultron e os invasores alienígenas como não sendo humanos e ignorem as acções indirectas (tais como permitir que Maria Hill despenhasse os helicarriers da S.H.I.E.L.D. controlados por fanáticos da Hyddra em Capitão América: O Soldado de Inverno), Steve Rogers ainda empregou o uso de uma arma e arremessou granadas aos combatentes inimigos em muitas ocasiões.
A principal distinção em tudo isto é a definição de Rogers de força necessária, que difere drasticamente da de Walker. Rogers traçou a linha nas matanças inúteis e esforçou-se por evitar conflitos directos sempre que possível, enquanto John Walker parece divertir-se em batalha e em derramamento de sangue. A grande questão que se coloca nos últimos capítulos do The Falcon and the Winter Soldier é se Sam Wilson irá ou não assumir ele próprio o escudo para o redimir ou esperar que desta vez o Governo dos EUA não tente trazer de volta o Capitão América.
Geek a tempo inteiro, PM é o fundador do projeto Tretas do Cromo. Podes segui-lo no Instagram em @senhor_pm e no twitter em @senhor_pm.
コメント